{"id":43248,"date":"2025-10-07T09:07:23","date_gmt":"2025-10-07T12:07:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/?p=43248"},"modified":"2025-10-20T16:20:33","modified_gmt":"2025-10-20T19:20:33","slug":"gaza-mosaico-de-vidas-quem-morre-e-quem-sobrevive","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/2025\/10\/07\/gaza-mosaico-de-vidas-quem-morre-e-quem-sobrevive\/","title":{"rendered":"Gaza: Mosaico de vidas. Quem morre e quem sobrevive"},"content":{"rendered":"<p>7 de outubro de 2023. Explode. Bombas. Mulheres. Crian\u00e7as. Televis\u00e3o. Apoio incondicional. Sangue. Palestina. Mortes.<\/p>\n<p>O maior genoc\u00eddio j\u00e1 televisionado na hist\u00f3ria \u00e9 anunciado. Israel progrediu com uma retalia\u00e7\u00e3o apoiada por 2 grandes na\u00e7\u00f5es: Estados Unidos da Am\u00e9rica e Reino Unido. Iniciou-se a devasta\u00e7\u00e3o de um territ\u00f3rio que j\u00e1 convivia com o cerco. Gaza tornou-se not\u00edcia nos maiores holofotes de manchetes, mas tamb\u00e9m foi silenciada. O sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 das m\u00e3es gritando pelos filhos mortos; n\u00e3o \u00e9 das crian\u00e7as procurando seus pais. N\u00e3o \u00e9 dos pais que n\u00e3o conseguem trazer comida para casa. O sil\u00eancio \u00e9 das na\u00e7\u00f5es que viraram as costas para as atrocidades acometidas por Israel.<\/p>\n<p>Nomes de n\u00e3o-nomes. Rostos cobertos por poeiras dos escombros. Vidas que s\u00e3o apenas n\u00fameros. Escolas bombardeadas. Hospitais colapsados. M\u00e9dicos aterrorizados. O que est\u00e1 sendo visto n\u00e3o \u00e9 apenas uma guerra militar, mas sim um sistema conduzido com o objetivo de apagar culturalmente uma popula\u00e7\u00e3o. Na atual conjuntura de Gaza a sobreviv\u00eancia n\u00e3o \u00e9 medida apenas por aqueles que n\u00e3o morrem, mas sim pela resist\u00eancia ao colapso do sistema que deveria proteger a popula\u00e7\u00e3o, ao cerco do territorial mantido por Israel e principalmente, pelo isolamento internacional.<\/p>\n<p>De acordo com o Jornal Aljazeera, desde outubro de 2023: 67.139 palestinos foram mortos desde o in\u00edcio da guerra. 459 morreram de fome, incluindo neste n\u00famero 154 s\u00e3o crian\u00e7as. Esta estat\u00edstica \u00e9 apenas aquela que o minist\u00e9rio da sa\u00fade de Gaza contabilizou. Al\u00e9m dos mortos, os diasporados s\u00e3o mais de 2 milh\u00f5es que acabam criando abrigos improvisados onde n\u00e3o h\u00e1 suprimento de \u00e1gua, saneamentos, abrigo decente, cuidados m\u00e9dicos, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 humanidade.<\/p>\n<p>As imagens vinculadas nas m\u00eddias s\u00e3o brutais: escolas que s\u00e3o reduzidas a escombros, fam\u00edlias soterradas, hospitais destru\u00eddos. V\u00eddeos veiculados com m\u00e3es correndo com seus filhos nos bra\u00e7os, pais que carregam pacotes embrulhados em len\u00e7\u00f3is, crian\u00e7as que n\u00e3o s\u00e3o mais crian\u00e7as por terem suas inf\u00e2ncias roubadas. Quem vive? Quem sobrevive? Quem morre? S\u00e3o alguns dos questionamentos que nos fazemos enquanto escombros s\u00e3o atravessados por nossa consci\u00eancia.<\/p>\n<p>A cada ataque realizado por Israel, que \u00e9 justificado por homens que n\u00e3o respeitam a vida, morrem os mais vulner\u00e1veis: mulheres, idosos e crian\u00e7as. Estes, s\u00e3o aqueles que nunca pegaram em arma, mas, s\u00e3o os que carregam em si a mem\u00f3ria de um povo. Aqueles que conseguem sobreviver n\u00e3o se tornam mais forte apenas, mas sim, aqueles que resistem em meio aos escombros, \u00e9 uma forma de mostrar para o mundo, mesmo para aqueles que querem ao contr\u00e1rio, estamos aqui, ficaremos aqui e resistiremos aqui.<\/p>\n<p>O conflito na Faixa de Gaza demonstra que h\u00e1 uma hierarquia global de vidas. Algumas mortes ganham maior como\u00e7\u00e3o mundial, outras, como daqueles que s\u00e3o soterrados entre os escombros permanecem na invisibilidade, que acabam sendo simplesmente vistas como danos colaterais do conflito. De acordo com a fil\u00f3sofa <strong>Judith Butler<\/strong> muitas mortes n\u00e3o s\u00e3o reconhecidas como dignas de compaix\u00e3o internacional, e este peda\u00e7o de mosaico humanit\u00e1rio \u00e9 exemplificado em Gaza, de forma t\u00e3o dolorosa que desvaloriza a exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Em meio a este mosaico de vidas, h\u00e1 lampejos de uma resist\u00eancia. Professores que improvisam salas de aulas em tendas. Crian\u00e7as que fazem dos escombros um espa\u00e7o de brincadeiras. Poetas que utilizam pap\u00e9is queimados para escrever palavras que um dia possam ser lidas por aqueles que sobreviveram. As fam\u00edlias que se re\u00fanem para uma alimenta\u00e7\u00e3o achada em escombros, ora\u00e7\u00f5es que ecoam os pr\u00e9dios a beira de cair. Tudo isso torna uma forma de resist\u00eancia dos palestinos.<\/p>\n<p>Essas a\u00e7\u00f5es praticadas por aqueles que ainda est\u00e3o ali, \u00e9 uma narrativa contra a aniquila\u00e7\u00e3o, onde lutam para reafirmar a identidade palestina que n\u00e3o pode simplesmente ser reduzida ao sil\u00eancio ou \u00e0 morte. Para o orientalista <strong>Edward Said<\/strong>, a forma de preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria praticada pelos palestinos \u00e9 resultado da perseveran\u00e7a contra a violenta pr\u00e1tica do ex\u00edlio e da ocupa\u00e7\u00e3o praticada por Israel e daqueles que aprovam e protegem a pr\u00e1tica da limpeza \u00e9tnica que acontece a c\u00e9u aberto em Gaza.<\/p>\n<p>Gaza resiste, por um fio. Gaza grita para aqueles que n\u00e3o a mais ouvem. Gaza est\u00e1 completamente destru\u00edda.<\/p>\n<p>Os palestinos nunca ir\u00e3o perdoar aqueles que podiam ajudar, mas preferiram manter uma alian\u00e7a pol\u00edtica que fez com que Gaza se tornasse o maior palco genocida do s\u00e9culo XXI, pois, cada morte, cada diasporados, cada forma de resist\u00eancia, resulta em um tecido coletivo humanit\u00e1rio que transpassa o campo de refugiados em sua pr\u00f3pria terra. A \u00e9tica social esbarra no momento em que, eu decido que vive, quem morre e quem sobrevive.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Bruno Younes<\/strong><\/em><br \/>\nIntegrante<br \/>\nDepartamento de Medio Oriente<br \/>\nIRI-UNLP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Bruno Younes<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":21671,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[1858,1906,1138],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/www.iri.edu.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/opinionesIRI-FEAT-750x200.png",750,200,false],"thumbnail":["https:\/\/www.iri.edu.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/opinionesIRI-FEAT-750x200-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/www.iri.edu.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/opinionesIRI-FEAT-750x200-300x80.png",300,80,true],"medium_large":["https:\/\/www.iri.edu.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/opinionesIRI-FEAT-750x200.png",750,200,false],"large":["https:\/\/www.iri.edu.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/opinionesIRI-FEAT-750x200.png",750,200,false],"1536x1536":["https:\/\/www.iri.edu.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/opinionesIRI-FEAT-750x200.png",750,200,false],"2048x2048":["https:\/\/www.iri.edu.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/opinionesIRI-FEAT-750x200.png",750,200,false],"ocean-thumb-m":["https:\/\/www.iri.edu.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/opinionesIRI-FEAT-750x200.png",600,160,false],"ocean-thumb-ml":["https:\/\/www.iri.edu.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/opinionesIRI-FEAT-750x200.png",750,200,false],"ocean-thumb-l":["https:\/\/www.iri.edu.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/opinionesIRI-FEAT-750x200.png",750,200,false],"sow-carousel-default":["https:\/\/www.iri.edu.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/opinionesIRI-FEAT-750x200-272x182.png",272,182,true],"sow-blog-portfolio":["https:\/\/www.iri.edu.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/opinionesIRI-FEAT-750x200.png",375,100,false],"sow-blog-grid":["https:\/\/www.iri.edu.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/opinionesIRI-FEAT-750x200.png",720,192,false],"sow-blog-alternate":["https:\/\/www.iri.edu.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/opinionesIRI-FEAT-750x200.png",750,200,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"Noel\u00ed Scarpelli","author_link":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/author\/noeli\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"por Bruno Younes","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43248"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43248"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43248\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43250,"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43248\/revisions\/43250"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21671"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}