{"id":46774,"date":"2026-09-17T13:22:00","date_gmt":"2026-09-17T16:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/?p=46774"},"modified":"2026-09-09T12:37:36","modified_gmt":"2026-09-09T15:37:36","slug":"quem-governa-o-libano-a-crise-da-soberania-estatal-diante-do-hezbollah-em-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/2026\/09\/17\/quem-governa-o-libano-a-crise-da-soberania-estatal-diante-do-hezbollah-em-2026\/","title":{"rendered":"Quem governa o L\u00edbano? A crise da soberania estatal diante do Hezbollah em 2026"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-59c3f77b default uagb-is-root-container\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"http:\/\/www.iri.edu.ar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/feat-anuario-2026.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"200\" src=\"http:\/\/www.iri.edu.ar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/feat-anuario-2026.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-46716\" srcset=\"https:\/\/www.iri.edu.ar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/feat-anuario-2026.png 750w, https:\/\/www.iri.edu.ar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/feat-anuario-2026-300x80.png 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"departamento wp-block-paragraph\">Departamento de Medio Oriente<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Art\u00edculos<\/h6>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Quem governa o L\u00edbano?<br>A crise da soberania estatal diante do Hezbollah em 2026<\/h1>\n\n\n\n<p class=\"autor\">Bruno Roque Younes<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os acontecimentos registrados no L\u00edbano entre janeiro e maio de 2026 reacenderam debates hist\u00f3ricos sobre soberania, autoridade pol\u00edtica e monop\u00f3lio da for\u00e7a. A escalada militar envolvendo Israel e Hezbollah evidenciou, mais uma vez, a coexist\u00eancia de diferentes centros de poder dentro do territ\u00f3rio liban\u00eas. Embora o Estado mantenha institui\u00e7\u00f5es formalmente respons\u00e1veis pela defesa nacional, a capacidade militar e a influ\u00eancia pol\u00edtica do Hezbollah continuam desempenhando papel central na defini\u00e7\u00e3o das din\u00e2micas de seguran\u00e7a do pa\u00eds. Este trabalho busca analisar como a crise de 2026 revelou os limites da soberania estatal libanesa, examinando as rela\u00e7\u00f5es entre governo, for\u00e7as armadas, Hezbollah e atores internacionais. Argumenta-se que os acontecimentos recentes n\u00e3o representam uma ruptura, mas a continuidade de um modelo pol\u00edtico caracterizado pela fragmenta\u00e7\u00e3o do poder e pela disputa permanente em torno da autoridade estatal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Poucos pa\u00edses contempor\u00e2neos apresentam uma estrutura pol\u00edtica t\u00e3o singular quanto o L\u00edbano. Desde o fim da Guerra Civil Libanesa (1975-1990), o pa\u00eds tem buscado equilibrar institui\u00e7\u00f5es estatais formais, sistemas de representa\u00e7\u00e3o confessional e a presen\u00e7a de atores pol\u00edticos armados com significativa influ\u00eancia territorial e social. Durante os primeiros meses de 2026, essa complexa arquitetura institucional foi novamente colocada \u00e0 prova. A intensifica\u00e7\u00e3o dos confrontos na fronteira sul n\u00e3o apenas produziu impactos militares e humanit\u00e1rios, mas tamb\u00e9m reabriu uma quest\u00e3o fundamental para a pol\u00edtica libanesa: quem exerce efetivamente a autoridade sobre a seguran\u00e7a nacional?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pergunta \u00e9 particularmente relevante porque, embora o Estado liban\u00eas seja internacionalmente reconhecido como soberano, importantes fun\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 defesa e \u00e0 dissuas\u00e3o militar permanecem associadas ao Hezbollah. Essa situa\u00e7\u00e3o desafia a defini\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de Estado formulada por Weber (1922), para quem a autoridade estatal se caracteriza pelo monop\u00f3lio leg\u00edtimo da for\u00e7a dentro de um territ\u00f3rio determinado. A guerra de 2026 n\u00e3o criou essa contradi\u00e7\u00e3o. Contudo, ela a tornou novamente vis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um Estado constru\u00eddo sobre o equil\u00edbrio das diferen\u00e7as<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A forma\u00e7\u00e3o do Estado liban\u00eas est\u00e1 diretamente relacionada \u00e0 diversidade religiosa, \u00e9tnica e cultural que caracteriza a sociedade do pa\u00eds. Diferentemente de outros Estados do Oriente M\u00e9dio constitu\u00eddos a partir de identidades nacionais relativamente homog\u00eaneas, o L\u00edbano consolidou-se como um espa\u00e7o de conviv\u00eancia entre m\u00faltiplas comunidades religiosas, incluindo crist\u00e3os maronitas, crist\u00e3os ortodoxos, mu\u00e7ulmanos sunitas, mu\u00e7ulmanos xiitas, drusos e outros grupos menores. Essa pluralidade moldou profundamente as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e os mecanismos de distribui\u00e7\u00e3o do poder.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As bases do sistema pol\u00edtico contempor\u00e2neo foram estabelecidas durante o per\u00edodo do Mandato Franc\u00eas (1920-1943) e consolidadas com o chamado Pacto Nacional de 1943, acordo informal que definiu a reparti\u00e7\u00e3o dos principais cargos do Estado entre as diferentes comunidades religiosas. A l\u00f3gica desse arranjo era simples: garantir que nenhum grupo monopolizasse o poder pol\u00edtico e assegurar a participa\u00e7\u00e3o das principais correntes religiosas na condu\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica passou a ser ocupada por um crist\u00e3o maronita, o cargo de primeiro-ministro por um mu\u00e7ulmano sunita e a presid\u00eancia do Parlamento por um mu\u00e7ulmano xiita. Posteriormente, ap\u00f3s a Guerra Civil Libanesa (1975-1990), o Acordo de Taif, firmado em 1989, reformulou parte desse sistema ao redistribuir compet\u00eancias entre os poderes do Estado e ampliar a participa\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana nas institui\u00e7\u00f5es nacionais. Ainda assim, manteve-se a l\u00f3gica fundamental do compartilhamento confessional do poder.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo da hist\u00f3ria do L\u00edbano, esse modelo contribuiu para evitar a exclus\u00e3o pol\u00edtica de grupos importantes e funcionou como um mecanismo de acomoda\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as em uma sociedade marcada por identidades m\u00faltiplas. Entretanto, o mesmo sistema produziu efeitos contradit\u00f3rios. Em vez de estimular a constru\u00e7\u00e3o de uma identidade nacional integrada, fortaleceu estruturas pol\u00edticas baseadas em lideran\u00e7as comunit\u00e1rias, redes clientelistas e partidos associados a interesses confessionais espec\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, muitos cidad\u00e3os passaram a estabelecer suas rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas n\u00e3o prioritariamente com o Estado, mas com lideran\u00e7as religiosas, partidos ou organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias capazes de oferecer prote\u00e7\u00e3o, servi\u00e7os e representa\u00e7\u00e3o. Como observa Salamey (2014), o sistema confessional liban\u00eas produziu uma forma de governan\u00e7a baseada no equil\u00edbrio entre comunidades, mas tamb\u00e9m dificultou a consolida\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es estatais plenamente aut\u00f4nomas e capazes de atuar acima das divis\u00f5es sect\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa din\u00e2mica tornou-se ainda mais evidente em per\u00edodos de crise. Diante das limita\u00e7\u00f5es do Estado para fornecer servi\u00e7os b\u00e1sicos de maneira uniforme, diferentes organiza\u00e7\u00f5es passaram a ocupar espa\u00e7os tradicionalmente associados ao poder p\u00fablico. Redes comunit\u00e1rias, funda\u00e7\u00f5es religiosas, associa\u00e7\u00f5es beneficentes e partidos pol\u00edticos desenvolveram sistemas pr\u00f3prios de assist\u00eancia social, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e apoio econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi nesse contexto que o Hezbollah ampliou sua influ\u00eancia. Desde sua funda\u00e7\u00e3o, em 1982, a organiza\u00e7\u00e3o investiu n\u00e3o apenas na constru\u00e7\u00e3o de uma capacidade militar significativa, mas tamb\u00e9m na cria\u00e7\u00e3o de uma extensa rede de servi\u00e7os voltados principalmente para comunidades xiitas. Hospitais, escolas, centros de assist\u00eancia social, programas habitacionais e iniciativas de reconstru\u00e7\u00e3o passaram a integrar sua atua\u00e7\u00e3o cotidiana, fortalecendo v\u00ednculos entre a organiza\u00e7\u00e3o e parcelas importantes da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado foi a forma\u00e7\u00e3o de uma estrutura h\u00edbrida de poder, na qual fun\u00e7\u00f5es tradicionalmente associadas ao Estado passaram a ser compartilhadas por diferentes atores. Em determinados territ\u00f3rios, especialmente no sul do pa\u00eds e em bairros da periferia de Beirute, a presen\u00e7a do Hezbollah tornou-se t\u00e3o relevante para a vida cotidiana quanto a das pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es governamentais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa realidade ajuda a compreender por que os acontecimentos de 2026 ultrapassam a dimens\u00e3o estritamente militar. A crise revelou n\u00e3o apenas uma disputa relacionada \u00e0 seguran \u00e7a nacional, mas tamb\u00e9m um problema estrutural da pol\u00edtica libanesa: a coexist\u00eancia entre um Estado formalmente soberano e organiza\u00e7\u00f5es que exercem, simultaneamente, fun\u00e7\u00f5es sociais, pol\u00edticas e militares. Nesse sentido, a quest\u00e3o central n\u00e3o \u00e9 apenas quem controla as armas, mas quem \u00e9 capaz de oferecer prote\u00e7\u00e3o, representa\u00e7\u00e3o e legitimidade aos diferentes segmentos da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A guerra de 2026 tornou vis\u00edvel uma caracter\u00edstica hist\u00f3rica do sistema liban\u00eas: a soberania n\u00e3o est\u00e1 concentrada em uma \u00fanica institui\u00e7\u00e3o, mas distribu\u00edda entre m\u00faltiplos centros de poder que coexistem, competem e, por vezes, cooperam dentro do mesmo territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O Hezbollah: Partido, movimento e for\u00e7a militar<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Poucas organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas no Oriente M\u00e9dio contempor\u00e2neo apresentam uma trajet\u00f3ria t\u00e3o singular quanto o Hezbollah. Fundado em 1982, durante a invas\u00e3o israelense do L\u00edbano e em meio aos desdobramentos da Guerra Civil Libanesa, o grupo surgiu inicialmente como um movimento de resist\u00eancia apoiado pela Rep\u00fablica Isl\u00e2mica do Ir\u00e3 e inspirado pelos princ\u00edpios da Revolu\u00e7\u00e3o Iraniana de 1979. Seu objetivo original era combater a ocupa\u00e7\u00e3o israelense no sul do pa\u00eds e representar politicamente parcelas da popula\u00e7\u00e3o xiita historicamente marginalizadas dentro do sistema pol\u00edtico liban\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo das d\u00e9cadas seguintes, entretanto, o Hezbollah ultrapassou a condi\u00e7\u00e3o de simples movimento armado. A organiza\u00e7\u00e3o passou por um processo de institucionaliza\u00e7\u00e3o que transformou profundamente sua atua\u00e7\u00e3o e ampliou sua influ\u00eancia sobre a sociedade libanesa. Al\u00e9m de consolidar uma estrutura militar altamente organizada, o grupo construiu uma extensa rede de servi\u00e7os sociais que inclui escolas, hospitais, centros de assist\u00eancia, programas habitacionais, organiza\u00e7\u00f5es beneficentes e iniciativas de reconstru\u00e7\u00e3o. Em muitas localidades, especialmente no sul do L\u00edbano, no Vale do Bekaa e nos sub\u00farbios ao sul de Beirute, essas estruturas passaram a desempenhar fun\u00e7\u00f5es que, em teoria, deveriam ser exercidas pelo pr\u00f3prio Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse processo contribuiu para fortalecer a legitimidade social da organiza\u00e7\u00e3o entre importantes setores da popula\u00e7\u00e3o. Para muitos de seus apoiadores, o Hezbollah n\u00e3o representa apenas uma for\u00e7a pol\u00edtica ou militar, mas uma institui\u00e7\u00e3o capaz de oferecer prote\u00e7\u00e3o, servi\u00e7os e representa\u00e7\u00e3o em contextos nos quais o Estado frequentemente demonstra capacidade limitada de atua\u00e7\u00e3o. A popularidade constru\u00edda por meio dessas redes de assist\u00eancia explica, em parte, a capacidade do grupo de manter influ\u00eancia pol\u00edtica significativa mesmo diante de cr\u00edticas internas e press\u00f5es internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Paralelamente, o Hezbollah consolidou sua participa\u00e7\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es formais do sistema pol\u00edtico liban\u00eas. Desde a d\u00e9cada de 1990, a organiza\u00e7\u00e3o participa regularmente das elei\u00e7\u00f5es legislativas, integra coaliz\u00f5es governamentais e ocupa assentos no Parlamento. Essa inser\u00e7\u00e3o institucional produziu uma caracter\u00edstica incomum: o Hezbollah tornou-se simultaneamente um ator integrante do Estado e um ator parcialmente aut\u00f4nomo em rela\u00e7\u00e3o a ele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 justamente essa condi\u00e7\u00e3o fragmentada que distingue o Hezbollah de outros movimentos pol\u00edticos da regi\u00e3o. Enquanto partidos convencionais atuam exclusivamente por meio das institui\u00e7\u00f5es estatais, e grupos armados operam \u00e0 margem delas, o Hezbollah ocupa ambos os espa\u00e7os. Trata-se, ao mesmo tempo, de um partido pol\u00edtico legalmente reconhecido, uma organiza\u00e7\u00e3o social profundamente enraizada em determinadas comunidades e uma for\u00e7a militar com capacidade pr\u00f3pria de dissuas\u00e3o e combate.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa configura\u00e7\u00e3o gera um dos principais dilemas da pol\u00edtica libanesa contempor\u00e2nea. A presen\u00e7a de uma estrutura armada independente das For\u00e7as Armadas Libanesas desafia um dos princ\u00edpios fundamentais do Estado moderno: o monop\u00f3lio leg\u00edtimo da for\u00e7a. Conforme argumenta Weber (1922), a autoridade estatal pressup\u00f5e a capacidade de controlar de maneira exclusiva os instrumentos leg\u00edtimos de coer\u00e7\u00e3o dentro de um territ\u00f3rio. No caso liban\u00eas, entretanto, essa prerrogativa encontra-se parcialmente compartilhada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os defensores do Hezbollah sustentam que essa excepcionalidade resulta das condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de seguran\u00e7a enfrentadas pelo pa\u00eds. Segundo essa perspectiva, a perman\u00eancia das tens\u00f5es com Israel e a recorr\u00eancia de confrontos na fronteira sul justificariam a manuten\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a de resist\u00eancia paralela \u00e0s estruturas militares estatais. Para seus apoiadores, o grupo desempenha um papel estrat\u00e9gico na defesa nacional e atua como elemento de dissuas\u00e3o diante de amea\u00e7as externas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, setores cr\u00edticos argumentam que a exist\u00eancia de uma for\u00e7a armada aut\u00f4noma limita a consolida\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es nacionais e reduz a capacidade do governo de formular pol\u00edticas de seguran\u00e7a de maneira plenamente soberana. Nessa interpreta\u00e7\u00e3o, a manuten\u00e7\u00e3o de estruturas militares paralelas dificulta a constru\u00e7\u00e3o de um Estado capaz de exercer autoridade uniforme sobre todo o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os acontecimentos registrados nos primeiros meses de 2026 recolocaram essa discuss\u00e3o no centro da agenda pol\u00edtica libanesa. A escalada militar demonstrou que decis\u00f5es relacionadas \u00e0 seguran\u00e7a nacional continuam sendo influenciadas por atores que operam para al\u00e9m dos mecanismos tradicionais de controle estatal. Ao mesmo tempo, evidenciou a dificuldade das institui\u00e7\u00f5es governamentais em responder de forma unificada a crises que envolvem dimens\u00f5es militares, diplom\u00e1ticas e humanit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais do que um debate sobre o Hezbollah, a crise de 2026 revelou uma quest\u00e3o estrutural da pol\u00edtica libanesa: a coexist\u00eancia de diferentes fontes de autoridade dentro do mesmo espa\u00e7o nacional. Nesse contexto, compreender o papel do Hezbollah significa compreender tamb\u00e9m os limites hist\u00f3ricos do Estado liban\u00eas e os desafios enfrentados por um sistema pol\u00edtico constru\u00eddo sobre a necessidade permanente de equilibrar poder, representa\u00e7\u00e3o e estabilidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A guerra de 2026 e os limites da Autoridade Estatal<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os acontecimentos registrados nos primeiros meses de 2026 evidenciaram uma das principais caracter\u00edsticas da pol\u00edtica libanesa contempor\u00e2nea: a exist\u00eancia de m\u00faltiplos centros de poder atuando simultaneamente na defini\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es relacionadas \u00e0 seguran\u00e7a nacional. A escalada militar na fronteira sul n\u00e3o apenas produziu impactos humanit\u00e1rios e diplom\u00e1ticos, mas tamb\u00e9m revelou as limita\u00e7\u00f5es das institui\u00e7\u00f5es estatais diante de um sistema pol\u00edtico marcado pela fragmenta\u00e7\u00e3o da autoridade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que os confrontos se intensificavam, o governo liban\u00eas buscava preservar canais diplom\u00e1ticos, evitar uma amplia\u00e7\u00e3o do conflito e reduzir os riscos de uma guerra em larga escala. Entretanto, as din\u00e2micas militares permaneceram fortemente condicionadas pela atua\u00e7\u00e3o do Hezbollah, cuja estrutura armada opera de forma aut\u00f4noma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s For\u00e7as Armadas Libanesas. Essa realidade produziu uma situa\u00e7\u00e3o paradoxal: embora o Estado continuasse sendo o representante formal do pa\u00eds perante a comunidade internacional, parte significativa das decis\u00f5es relacionadas \u00e0 seguran\u00e7a permanecia associada a um ator que n\u00e3o se subordina integralmente \u00e0s institui\u00e7\u00f5es governamentais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A crise evidenciou, portanto, um descompasso entre responsabilidade internacional e capacidade efetiva de a\u00e7\u00e3o. Enquanto governos estrangeiros, organismos multilaterais e mediadores diplom\u00e1ticos direcionavam suas demandas ao Estado liban\u00eas, a capacidade deste de controlar todos os fatores envolvidos no conflito mostrava-se limitada. Em diversos momentos, as autoridades nacionais foram pressionadas a responder por acontecimentos sobre os quais possu\u00edam influ\u00eancia apenas parcial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, as For\u00e7as Armadas Libanesas ocuparam uma posi\u00e7\u00e3o particularmente delicada. Diferentemente de outros ex\u00e9rcitos da regi\u00e3o, a institui\u00e7\u00e3o militar libanesa atua em uma sociedade profundamente plural, marcada por divis\u00f5es confessionais, disputas partid\u00e1rias e sensibilidades comunit\u00e1rias que exigem permanente equil\u00edbrio pol\u00edtico. Sua legitimidade depende, em grande medida, da capacidade de manter-se como uma institui\u00e7\u00e3o nacional relativamente consensual em meio \u00e0s fragmenta\u00e7\u00f5es da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa condi\u00e7\u00e3o limita significativamente sua margem de atua\u00e7\u00e3o. Um eventual confronto direto com o Hezbollah poderia n\u00e3o apenas gerar instabilidade interna, mas tamb\u00e9m comprometer o papel do Ex\u00e9rcito como um dos poucos s\u00edmbolos de unidade nacional ainda reconhecidos por diferentes segmentos da popula\u00e7\u00e3o. Por essa raz\u00e3o, durante a crise de 2026, as For\u00e7as Armadas concentraram seus esfor\u00e7os em atividades relacionadas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da ordem p\u00fablica, \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o de respostas humanit\u00e1rias, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de infraestruturas estrat\u00e9gicas e ao apoio \u00e0s popula\u00e7\u00f5es afetadas pelos confrontos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A postura adotada revelou uma caracter\u00edstica recorrente da experi\u00eancia libanesa desde o final da Guerra Civil: o Ex\u00e9rcito funciona como um fator de estabilidade institucional, mas n\u00e3o exerce controle exclusivo sobre todas as dimens\u00f5es da seguran\u00e7a nacional. Em vez de monopolizar o uso da for\u00e7a, compartilha, na pr\u00e1tica, parte desse espa\u00e7o com outros atores que acumulam legitimidade social, capacidade militar e influ\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Diplomacia e a configura\u00e7\u00e3o do poder no L\u00edbano<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A crise recente evidenciou, mais uma vez, a profunda depend\u00eancia do L\u00edbano em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 media\u00e7\u00e3o internacional. Historicamente, os processos de estabiliza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds raramente se sustentam apenas por din\u00e2micas internas, envolvendo a participa\u00e7\u00e3o ativa de atores externos como Estados Unidos, Fran\u00e7a, Ir\u00e3, Ar\u00e1bia Saudita e Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As tentativas de conten\u00e7\u00e3o da escalada militar e de preserva\u00e7\u00e3o de canais diplom\u00e1ticos dependeram amplamente de negocia\u00e7\u00f5es conduzidas fora das fronteiras libanesas, o que refor\u00e7a a limita\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es nacionais na condu\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma de crises estrat\u00e9gicas. Esse cen\u00e1rio revela uma dimens\u00e3o essencial da fragilidade estatal: a soberania formal n\u00e3o se converte, necessariamente, em capacidade efetiva de decis\u00e3o e controle. Em consequ\u00eancia, a soberania libanesa permanece atravessada por disputas regionais mais amplas, nas quais interesses externos influenciam diretamente os equil\u00edbrios pol\u00edticos internos e condicionam os rumos da governan\u00e7a nacional. Diante disso, a pergunta sobre quem governa o L\u00edbano n\u00e3o admite respostas simplistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Estado liban\u00eas mant\u00e9m legitimidade jur\u00eddica, reconhecimento internacional e uma estrutura institucional formal consolidada. No entanto, sua capacidade de exercer controle integral sobre o territ\u00f3rio e sobre decis\u00f5es estrat\u00e9gicas, especialmente no campo da seguran\u00e7a, permanece limitada e, em muitos casos, compartilhada. O Hezbollah, por sua vez, n\u00e3o pode ser compreendido nos termos cl\u00e1ssicos de um \u201cEstado paralelo\u201d. Trata-se de um ator h\u00edbrido, cuja inser\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, militar e social lhe confere influ\u00eancia direta em decis\u00f5es centrais para o funcionamento do pa\u00eds, sobretudo em contextos de crise.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ano de 2026 evidencia, assim, um modelo de governan\u00e7a marcado pela fragmenta\u00e7\u00e3o e pela coexist\u00eancia de m\u00faltiplos centros de poder. O L\u00edbano opera, na pr\u00e1tica, por meio de uma configura\u00e7\u00e3o h\u00edbrida, na qual Estado formal, for\u00e7as pol\u00edticas internas e atores transnacionais compartilham de maneira assim\u00e9trica e frequentemente tensa: responsabilidades, recursos e capacidades de influ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa realidade desafia concep\u00e7\u00f5es tradicionais de soberania e evidencia a necessidade de compreender o Oriente M\u00e9dio contempor\u00e2neo a partir de estruturas pol\u00edticas mais complexas, nas quais o poder n\u00e3o se concentra de forma exclusiva, mas se distribui, se negocia e se reconfigura continuamente entre diferentes escalas de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A fragmenta\u00e7\u00e3o da soberania<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os primeiros meses de 2026 evidenciaram que a crise libanesa n\u00e3o pode ser compreendida apenas a partir de suas manifesta\u00e7\u00f5es imediatas, sejam elas militares, econ\u00f4micas ou humanit\u00e1rias. Em profundidade, trata-se de uma crise de natureza estrutural do Estado, na qual est\u00e3o em disputa os pr\u00f3prios fundamentos da autoridade pol\u00edtica, da representa\u00e7\u00e3o e da soberania.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo da an\u00e1lise, torna-se evidente que o L\u00edbano n\u00e3o opera sob uma l\u00f3gica de centraliza\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica do poder estatal. Ao contr\u00e1rio, configura-se como um sistema pol\u00edtico marcado pela fragmenta\u00e7\u00e3o institucional e pela sobreposi\u00e7\u00e3o de esferas de autoridade. Institui\u00e7\u00f5es formais do Estado convivem com partidos politicamente armados, organiza\u00e7\u00f5es de base comunit\u00e1ria e uma densa rede de influ\u00eancias externas que atravessam continuamente o processo decis\u00f3rio. Essa multiplicidade n\u00e3o implica necessariamente a aus\u00eancia de Estado, mas revela um Estado cuja capacidade de coordena\u00e7\u00e3o \u00e9 permanentemente tensionada por for\u00e7as concorrentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, a governabilidade libanesa n\u00e3o pode ser interpretada como exerc\u00edcio unificado de soberania, mas como um processo de negocia\u00e7\u00e3o constante entre atores com diferentes n\u00edveis de legitimidade, capacidade coercitiva e inser\u00e7\u00e3o social. O resultado \u00e9 um arranjo institucional que se mant\u00e9m funcional em termos m\u00ednimos, embora estruturalmente inst\u00e1vel no que se refere \u00e0 formula\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es estrat\u00e9gicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista da ci\u00eancia pol\u00edtica, o caso liban\u00eas desafia diretamente categorias cl\u00e1ssicas herdadas da tradi\u00e7\u00e3o weberiana de Estado. A ideia de monop\u00f3lio leg\u00edtimo da for\u00e7a e a no\u00e7\u00e3o de soberania como autoridade \u00faltima e indivis\u00edvel mostram-se insuficientes para explicar contextos em que o poder \u00e9 compartilhado, disputado e, em certos momentos, externalizado. O L\u00edbano, nesse sentido, aproxima-se de uma forma de soberania compartilhada de fato, ainda que n\u00e3o formalizada, na qual diferentes atores exercem fun\u00e7\u00f5es tipicamente estatais em campos espec\u00edficos, especialmente na seguran\u00e7a e na pol\u00edtica externa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escalada de 2026 refor\u00e7a essa leitura ao demonstrar que decis\u00f5es centrais para a estabilidade nacional n\u00e3o se limitam ao circuito institucional do Estado, mas dependem de intera\u00e7\u00f5es com atores transnacionais e regionais. Isso produz um tipo de soberania condicionada, na qual a autonomia estatal existe, por\u00e9m de maneira relativa e continuamente negociada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais do que responder de forma definitiva \u00e0 pergunta sobre quem governa o L\u00edbano, este estudo sugere que o problema central reside na pr\u00f3pria redefini\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea do conceito de governo. Em contextos como o liban\u00eas, governar n\u00e3o significa exercer controle pleno e hier\u00e1rquico, mas administrar equil\u00edbrios inst\u00e1veis entre m\u00faltiplos polos de poder, frequentemente com agendas divergentes e capacidades assim\u00e9tricas de influ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, os acontecimentos de 2026 n\u00e3o devem ser interpretados apenas como mais um ciclo de crise, mas como express\u00e3o de um modelo pol\u00edtico estrutural que tende \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria fragmenta\u00e7\u00e3o. O L\u00edbano, nesse sentido, n\u00e3o \u00e9 apenas um Estado em crise, mas um caso paradigm\u00e1tico para a compreens\u00e3o das limita\u00e7\u00f5es do modelo cl\u00e1ssico de soberania no sistema internacional contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, permanece em aberto, e cada vez mais central para a an\u00e1lise pol\u00edtica, a quest\u00e3o sobre os limites reais da constru\u00e7\u00e3o estatal em contextos profundamente atravessados por divis\u00f5es internas e disputas regionais. A resposta a essa indaga\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas define o futuro do L\u00edbano, mas tamb\u00e9m contribui para repensar os pr\u00f3prios fundamentos te\u00f3ricos da ci\u00eancia pol\u00edtica diante das transforma\u00e7\u00f5es do poder no s\u00e9culo XXI.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ABOULTAIF, Eduardo. Power sharing in Lebanon: consociationalism since 1820. London: Routledge, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AZAMBUJA, Darcy. Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia pol\u00edtica. S\u00e3o Paulo: Globo, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BOBBIO, Norberto. Estado, governo, sociedade: para uma teoria geral da pol\u00edtica. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BOBBIO, Norberto. Teoria geral da pol\u00edtica: a filosofia pol\u00edtica e as li\u00e7\u00f5es dos cl\u00e1ssicos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BONAVIDES, Paulo. Ci\u00eancia pol\u00edtica. S\u00e3o Paulo: Malheiros, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BOURDIEU, Pierre. Sobre o Estado: cursos no Coll\u00e8ge de France (1989-1992). S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CAMMETT, Melani; ISSAR, Sukriti. Bricks and mortar clientelism: sectarianism and the logics of welfare allocation in Lebanon. World Politics, v. 62, n. 3, p. 381-421, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DAHL, Robert A. Poliarquia: participa\u00e7\u00e3o e oposi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Editora da Universidade de S\u00e3o Paulo, 1997.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DIONIGI, Filippo. Hezbollah, Islamist politics, and international society. London: Palgrave Macmillan, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FAWAZ, Mona; G\u00dcNEL, G\u00f6k\u00e7e; MOURAD, Lama. Beirut and the urban condition in the global South. London: Routledge, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FREGONESE, Sara. Beyond the \u201cweak state\u201d: hybrid sovereignties in Beirut. Environment and Planning D: Society and Space, v. 30, n. 4, p. 635-654, 2012. DOI: https:\/\/doi.org\/10.1068\/d11410.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HAZBUN, Waleed. Assembling security in a \u201cweak state\u201d: the contentious politics of plural governance in Lebanon since 2005. Third World Quarterly, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HUDSON, Michael C. The precarious republic: political modernization in Lebanon. Boulder: Westview Press, 1968.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">KERR, Michael; L\u00dcSCHER, Sebastian. State fragility and political violence in the Middle East. London: Routledge, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NORTON, Augustus Richard. Hezbollah: a short history. Princeton: Princeton University Press, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NORTON, Augustus Richard. The role of Hezbollah in Lebanese domestic politics. In: The Middle East between transformation and crisis. London: Palgrave Macmillan, 2007. p. 147-166.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PICARD, Elizabeth. Lebanon: a shattered country. New York: Holmes &amp; Meier, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SAID, Edward W. Orientalismo: o Oriente como inven\u00e7\u00e3o do Ocidente. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SALAMEY, Imad. The government and politics of Lebanon. London: Routledge, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SALLOUKH, Bassel F. et al. The politics of sectarianism in postwar Lebanon. London: Pluto Press, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">WEBER, Max. Ci\u00eancia e pol\u00edtica: duas voca\u00e7\u00f5es. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 1998.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">WEBER, Max. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Bras\u00edlia: Editora Universidade de Bras\u00edlia, 1994. WEFFORT, Francisco C. (org.). Os cl\u00e1ssicos da pol\u00edtica. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 2006.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Bruno Roque Younes<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"anuario","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[2050],"tags":[2117],"class_list":["post-46774","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-anuario2026","tag-a2026demoart","entry"],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"ocean-thumb-m":false,"ocean-thumb-ml":false,"ocean-thumb-l":false,"sow-carousel-default":false,"sow-blog-portfolio":false,"sow-blog-grid":false,"sow-blog-alternate":false},"uagb_author_info":{"display_name":"Juana Alvarez Eiras","author_link":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/author\/juana-alvarez-eiras\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"por Bruno Roque Younes","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46774","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46774"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46774\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46775,"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46774\/revisions\/46775"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46774"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46774"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iri.edu.ar\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46774"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}